Cada vez é mais frequente ver as crianças a “brincar” com os telemóveis e tablets dos pais. Desde muito cedo, mostram uma afinidade natural para mexer em tudo o que seja tecnologia.
Este contacto precoce faz com que também os pedidos para terem o seu próprio telemóvel cheguem mais cedo do que era suposto.
Nessa altura, coloca-se aos pais uma questão importante: qual é a idade adequada para oferecer o primeiro telemóvel a uma criança?
O que dizem os especialistas
Na verdade, não há nenhum estudo que indique uma idade taxativa, levando em linha de conta factores científicos. Esses dados não existem, embora alguns especialistas tendam a apontar os 13 anos como a idade indicada e outros os 9/10 anos.
Uma esmagadora maioria concorda que a idade certa é aquela em que a criança comece a estar mais tempo fora de casa sem o acompanhamento dos pais. Isto inclui a escola, claro, mas também o aumento das actividades sociais como festas de aniversário, idas ao cinema com os amigos (mesmo que acompanhados por outros adultos) tardes a brincar ou estudar em casa de amigos, fins-de-semana fora em casa de familiares ou amigos, etc.
Nestes casos, o telemóvel começa a ser um meio bastante útil de contacto / comunicação entre pais e filhos – para combinar ir buscar ou levar de algum sítio, saber como estão as coisas quando estão longe de forma directa, etc.
No entanto, é normal que os pedidos da criança comecem mais cedo, não só por terem um contacto muito próximo com os telemóveis dos pais, mas também por influências externas. A frase “mas toda a gente tem um” será com certeza muito ouvida.
Não que isto seja muito importante para a criança, mas pode ajudá-lo a ser firme na sua resposta: estudos apontam que apenas 14% das crianças entre os 5 e os 9 anos já tem um telemóvel. Portanto, não é assim tão comum quanto se pensa em faixas etárias muito baixas.
Um dos pontos em que a maioria está de acordo é o seguinte: mais importante do que a idade certa, é o uso que é dado ao telemóvel e os parâmetros definidos pelos pais para esse uso. Para uma criança, um telemóvel deve ser um meio de comunicação e não mais uma consola. O tempo dedicado aos jogos e outras funções de entretenimento dos telemóveis deve ser limitado, tal como é controlado o tempo passado em frente à TV ou aos videojogos.
Cuidados a ter
Antes de partir para a decisão de oferecer um telemóvel ao seu filho, pode sempre tentar implementar uma fase intermédia: dar acesso ao telemóvel da família. Ou seja, sempre que for necessário (não só em casa para jogar jogos) a criança pode levar o telemóvel do pai ou da mãe consigo para poder comunicar. Por exemplo, se for a uma festa de aniversário.
Também pode optar por comprar um telemóvel para a família, que não seja o já existente da mãe ou do pai. Escolha um modelo mais simples e com funcionalidades adequadas a esta função. Isto pode ser uma boa solução, especialmente se tiver mais do que um filho com idades próximas. O telemóvel é da família e, portanto, terá que ser partilhado.
Claro que isto acarreta alguns riscos, uma vez que o telemóvel dos pais estará configurado para adultos, ou seja, terá acesso à internet e outras funcionalidades. Aqui, entra o factor pessoal e a confiança que tem ou não no seu filho para seguir as indicações que lhe dá com responsabilidade.
Caso decida oferecer um telemóvel à criança, há algumas regras que pode seguir.
- Escolha um modelo mais básico. Pode ter ou não acesso à internet (fica ao seu critério) mas mesmo sendo um smartphone, escolha um modelo mais simples. Para já, a criança não precisa de um telemóvel topo de gama. Em segundo lugar, ter um modelo mais antigo e básico diminui as hipóteses de ser roubado. No entanto, é importante realçar que os modelos com acesso à internet permitem dispositivos de localização, o que poderá ser uma mais-valia para os pais.
- Defina um plafond mensal. Pode fazer isso através de tarifário pré-pago ou por carregamentos. Se o plafond for ultrapassado ou a criança se queixar que não chega, estipule que o custo do telemóvel será pago com a mesada. Isto irá fomentar um sentido de responsabilidade e de causa-efeito. Mesmo tendo telemóvel, uma criança não precisa de gastar muito dinheiro com ele. Tem que perceber que deve ser usado apenas para fazer chamadas e mandar mensagens em casos que se justifiquem.
- Explique ao seu filho que o número de telemóvel não deve ser dado a estranhos. Alguns telemóveis para crianças permitem definir uma lista fixa de números e só é permitido efectuar chamadas para esses números.
- Explique também que o aparelho não deve ser deixado levianamente em cima da mesa na escola ou andar com ele na mão na rua. Ensine alguns comportamentos básicos que podem prevenir o roubo.




















