O estigma do filho único

Mimado e egoísta. Estes são alguns dos adjectivos normalmente associados aos filhos únicos. Durante muitos anos, talvez este estigma (ou mito) tenha contribuído para o facto de os casais quererem ter mais do que um filho.

Hoje em dia, por factores sociais (casamento e gravidez tardia, por exemplo) e económicos, há cada vez mais casais que decidem parar no primeiro filho. Por isso, cada vez mais, impõe-se a pergunta: há desvantagens em ser filho único?

As vantagens

A resposta é sim e não, mas nada que possa afectar o desenvolvimento normal da criança. É tudo uma questão de perspectiva e de educação. Têm sido conduzidos vários estudos com adolescentes e não se verificou diferenças significativas a nível social entre filhos únicos, primogénitos, etc.

À partida, um filho único terá várias vantagens.

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  • Exclusividade da atenção dos pais e da família (muitas vezes acabam por ser netos e sobrinhos únicos também) criando uma relação mais próxima com os adultos, o que dá origem a um desenvolvimento mais rápido a nível da expressão verbal, por exemplo.
  • Os pais terão mais energia e disponibilidade mental para se focarem nas necessidades emocionais específicas daquela criança, contribuindo de forma positiva para o seu desenvolvimento. Com mais filhos, a atenção é menos focada nas necessidades de cada criança e dada de forma mais geral.
  • Os pais terão mais disponibilidade financeira para os colocar numa boa escola e enriquecer a educação da criança com actividades complementares. Com dois ou mais filhos torna-se complicado.
  • Sem descurar a atenção e educação da criança, os pais terão mais tempo para a sua vida pessoal e profissional, o que é uma escolha válida.

As desvantagens

No entanto, também há o outro lado da moeda. Precisamente por serem mais próximos dos pais, pode criar-se uma relação de dependência que, mais tarde, será prejudicial. Normalmente, os filhos únicos são mais relutantes em sair de casa e começar a sua própria vida, porque sentem que estão a abandonar os pais.

Paralelamente, também poderá sentir a pressão dos pais para cumprir todos os sonhos e objectivos que, com mais filhos, seriam equilibrados entre todos.

Outro risco desta relação muito próxima, é a criança ficar “adulta” muito depressa. À falta de companheiros da mesma idade, terá tendência a acompanhar mais os pais nas suas actividades e a não brincar tanto.

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Aqui, caberá aos pais compensar isso e serem eles a fazer mais actividades infantis e não o contrário – em vez de umas férias relaxantes num resort (para o qual até poderiam levar o filho, porque têm condições económicas para isso) terão que optar por um parque de diversões barulhento.

Outra grande desvantagem em ser filho único é não viver a experiência da relação fraternal. A dinâmica entre irmãos é extremamente importante para o desenvolvimento emocional e social das crianças. É, muitas vezes, através dessa relação, que se confrontam pela primeira vez com o ciúme e a competição, por exemplo. É também através dela que aprendem a resolver conflitos e a gerir emoções, uma ferramenta que os vai acompanhar na idade adulta.

A não ser que existam outras crianças próximas na família que possam funcionar como irmãos substitutos, o filho único irá perder esta experiência enriquecedora.

Acima de tudo, os pais de filhos únicos terão que ter sempre presente que é essencial haver espaço para a criança ser criança – brincar, sujar-se, cair, socializar com outras crianças. A ausência de um irmão(s) não é necessariamente prejudicial, mas a forma como os pais gerem isso pode ser. Não caia no erro de tratar o seu filho como mini-adulto.

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